26 de agosto de 2005



Estamos firmes na novena de Nossa Senhora da Salette. Serão 9 noites ao total e hoje foi a quinta. Nem eu nem o Alexandre estamos desmotivados, pelo contrário. Quem sabe depois dessa novena as coisas entre nós melhorem e que ele consiga um bom emprego.
Continuo empolgado para a festa que vou dar dia 09/09. Entretanto, hoje, depois de uma conversa que tive com o Alexandre, estou repensando se ela vai ocorrer de fato.
Tudo começou naquele dia em que o dentista veio aqui. O Alexandre ficou desconfiado e de uns dias para cá, tem me prensado para eu dizer a verdade. Até que por fim, confirmei que ele veio aqui e que transamos.
Chocado com a verdade, vejo que ele sofre por não querer ou não poder tomar nenhuma atitude referente às minhas traições. Fica extremamente incomodado, humilhado até, mas por falta de coragem de enfrentar o problema, solta aquele discurso que eu ainda não me satisfiz em me vingar e blá-blá-blá e fica até o final do dia com cara de merda. Até eu ficaria. Aliás, eu fiquei, quando ele me traía enquanto eu ia trabalhar.
Eu respondi que não é vingança, e por isso não me arrependo do que fiz, porque me trouxe prazer, o que é verdade. Ter transado com aquele dentista foi ótimo. Tão bom quanto transar com o Martinelli, na terça passada. Foi maravilhoso. Acho que umas das melhores transas da minha vida. Com o Martinelli, o Alexandre participou, mas ficou de escanteio.
Só temos transado se tem alguém no meio. Sozinhos, faz realmente muito tempo que não ocorre nada. E nem tenho vontade. Acho que nem ele tem mais. A questão é que nem isso ele admite. Ficaria mais fácil se ele admitisse pra si mesmo que não me ama mais e que não tem mais aquele tesão por mim, que tinha antes.
Enfim, pensando em tudo isto e na conversa de hoje, me senti sujo, mergulhado num lodaçal de pecados, luxúria e esbórnia. Nem a ida à missa me fez sentir melhor. E a festa será uma confirmação disso, uma esbórnia liberada, um verdadeiro bacanal diante de tantas imagens de santos e santas que povoam esta casa.
Se eu conseguisse me mudar antes da festa, com certeza ela não aconteceria.
E o Martinelli, hein? Bem que ele poderia vir todos os dias me comer. Acho que estou apaixonado. Mas sei que vai passar, porque não tem futuro algum isso, se é que tem algum presente.
Em relação à minha mãe, toda vez que ela liga é uma chatice. Quer falar comigo só pra saber do Daniel ou porque precisa de dinheiro. Que saco.
Quero continuar as mudanças na minha vida e a maior delas, agora, é ter a minha casa.
Preciso perder o medo da solidão, porque conviver com o Alexandre cada dia que passa torna-se uma angústia pra mim e tenho certeza de que pra ele também, ter alguém que pisa nele noite e dia e ele nem sequer pode reclamar...

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