16 de agosto de 2005 - 23h02



Hoje eu fiz muitas coisas. Acordei lá pelas 10h30, fui pra frente do computador, atualizei meu flog, meu orkut, e-mails e afins e resolvi caçar no bate-papo. Estava ficando entediado, quando fui interrompido pela campainha. Era o homem da cândida. Comprei várias coisas, que somando com o que eu já devia, ficou R$26. Falei pra ele tocar semana que vem pra eu não me esquecer de pagar.
Voltei pro computador e continuei caçando. Deu certo e conversei com um cara do Jaçanã. 26 anos e ativo. Mandei minha foto para ele mas não consegui receber a dele. Mesmo assim, no escuro, marcamos para ele vir, pois ele havia me curtido. No horário certo ele chegou, e eu já o esperava da janela. Já tinha tomado banho e dado um jeito na casa. Ele perguntou pelo msn se podia tocar a campainha e respondi que sim, afinal, só eu e os cachorros estávamos em casa aquele horário. Não foi preciso, pois um Siena cinza se aproximava, conforme ele havia dito e fui abrir o portão. Gostei da discrição: não parou o carro na porta de casa – até porque já tinha outro carro na porta de algum vizinho inconveniente parado. Mediu-me dos pés à cabeça e entrou. Fomos para o quarto e tiramos os dois sua roupa. Um gato. Cavanhaque, pêlos na medida certa. Como veio direto do trabalho, estava todo de branco. Chama-se Alexandre e é dentista, deve ser por isso que avisou que não curtia beijo na boca ( deja vu ). Tinha uma rola enorme.
Tirei sua meia branca e me deliciei com seu pé quente pelo calor do dia e pelo leve aroma de pés que ficam dentro se meias socias e sapatos fechados.
No começo doeu um pouco, mas logo depois, fizemos todas as posições.
Tão rápido quanto veio, foi embora. Discreto e marcante.
Atordoado de tantas coisas novas, como sentir o mesmo que o Alexandre sentia quando me traía dentro de casa, o de trazer pra transar em casa, sozinho, gente estranha e principalmente, o de fazer o que quero na hora que quero do jeito que quero.
O Alexandre Dimas ligou e avisei-o de que não poderia estar em casa na hora que chegasse, pois eu tinha que ir à locadora devolver os filmes. Resolvi ir à locadora àquela hora mesmo e passei no Carrefour para falar com o Eduardo, o cabelereiro.
Sinto que às vezes, ele tem inveja de mim. Contudo, em outros momento, percebo que ele se esforça em ser meu amigo. Confidenciei-lhe que me entristece ver o Dimas sofrer por nossa relação que anda um fiasco e ele, de fato, me deu uma palavra amiga.
Voltei pra casa, estendi a roupa, coloquei mais roupa na máquina, lavei louça, fiz arroz, tirei a carne do freezer e voltei pro computador.
O Dimas chegou e desconfiou que alguém pudesse ter vindo aqui. Achando que tinha razão, contra-argumentei que por essas e por outras que não há confiança em nossa relação. Jantou, tomou banho e seu humor só melhorou quando eu liguei pro Cássio pedindo dicas pra festa de 3 anos de casamento que vou dar mês que vem.
Ele foi dormir e aqui estou, depois de ter assistido “Xica da Silva”.
E o porquê de tanta tristeza?
Procurei no orkut e no site da Telefônica o Alexandre Dentista e o encontrei.
Por quê eu fiz isso? Pra me machucar? Pra provar pra mim mesmo que ninguém se esconde de mim? Pra provar que tudo posso porque tudo quero?
Encontrei ainda o Tércio no orkut, um cara que estudou comigo na sétima série, em 92. Adicionei só o Tércio.
Fiquei chateado, pois assim como o Tércio, o Alexandre Dentista mostra-se pelo perfil, ser homem, casado, feliz, e eu sou um bicha depressiva, louca, infeliz. Os dois têm algo em comum, além da heterossexualidade: moram no Jaçanã. E eu no Jardim São Paulo, um bairro melhor. Eu não deveria me sentir melhor por esse lado pelo menos? Estou de licença médica e recebendo pra ficar em casa, enquanto eles, trabalhando. Não seria este outro ponto a me fazer sentir melhor?
Em relação ao Alexandre dentista, sou gay assumido, enquanto ele se esconde nas horas de almoço e à noite sua homossexualidade comendo viados que se dispõe a isso, não seria este mais um ponto que poderia me fazer sentir melhor do que me sinto?
Por isso resolvi postar.
Pra lá na frente, encontrar respostas pras minhas várias dúvidas...

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